Já se sabe que a vida está cheia de ironias, mas a novidade reside, precisamente, em saber qual a ironia que se segue. Ora, desta vez, o revés das obras.
Pois até que já voltei para casa e estava feliz com o rumo tomado pelas coisas, com a reorganização e o regresso. Pois que até já estava em descompressão, perante a esperança de finalmente me ver livre disto tudo muito muito em breve. Ontem! E eis senão quando tudo leva outra volta e fica de pernas para o ar, nem que seja só para provar, ostensivamente, que não se pode confiar em nada.
Fui para o Porto na 5.ª, com planos de regressar no domingo. Por uma feliz coincidência, acabamos por regressar (eu e a cara-metade) na sexta à noite, apenas para deparar com uma inundação. Perguntam vocÊs: mas eu não troquei os canos? Não é essa uma das coisas básicas a fazer numa renovação?
Pois troquei. É claro que troquei. Por canos de inox, supostamente inafundáveis, como o titanic. E como ele e as minhas expectativas – furados. Rebentou uma junção entre 2 canos. Sim, canos de inox com 15 dias de existência. O que não apela muito à minha confiança no resto dos seus congéneres e do trabalho que aqui foi feito.
Ora, depois de umas horas a tentar aguentar o barco e a limpar, tentando não me irritar demasiado – o improvável acontece. Fazemos cair a velha sanita que antes estava na minha casa de banho. Eis senão quando nos apercebemos, estupefactos, que esta estava cheia – tinha sido utilizada para a sua função natural, sabe-se lá por quantos dos trabalhadores que andavam lá em casa, já desligada da canalização. Podem imaginar o cheiro, o desespero, a raiva… Que tipo de pessoas, no seu perfeito juizo, utilizam uma sanita desligada? Ainda mais, quando há 2 sanitas novinhas e em perfeitas condições de funcionamento? Que tipo de porcos deixam uma coisa destas semanas em casa de uma pessoa, sem qualquer aviso?
Resultado, limpar a urina alheia até às 5 da manhã, por entre lágrimas de raiva. Ah sim, e depois voltar a ligar à água para tomar o tão necessário duche, sabendo que estávamos a inundar novamente a marquise enquanto o fazíamos.
E o mais bonito de tudo isto é que ninguém é capaz de assumir as responsabilidades. No dia seguinte o picheleiro foi reparar os estragos e ainda tem a coragem de se passar pelo maior inocente, dizer-me na cara que a conta da água nem vai ser assim tão alta (pague-a ele, se não lhe faz diferença) e culpar o material – sim, o material que ele mesmo comprou – como se tal o ilibasse da responsabilidade.
Acho que nunca quis tanto bater numa pessoa.
E amanhã já é segunda e estou ainda mais cansada que na sexta.
Se puder evitá-lo não me voltam a apanhar em obras. E neste momento só quero ver-me livre deste bando de irresponsáveis.
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