ao Norte, de volta, ainda tentativamente, mas de volta ao trabalho. Setembro aproxima-se ominosamente, com a promessa de muito trabalho, mas também de novas aventuras e com pilhas recaregadas de fresco. Faz-me lembrar aquele misto de excitação e preguiça que acontecia antes do regresso às aulas todos os anos. A antecipação, a preparação, a primeira olhada aos livros que se iam estudar, a escolha de canetas, cadernos e outros que tais. E claro, um misto de curiosidade e vontade de encontrar os colegas depois de quase 3 meses (tão longos que pareciam na altura, esses meses do tamanho de anos, vazios e à deriva, sem horários, sem tempo) e por outro, a vontade de eternizar ainda mais essa pequena eternidade, adiar um pouco mais o despertador, o corre-corre.
Hoje peguei, depois de muito tempo, na agenda. Não que não tenha havido dias e horas e compromissos marcados nestes estranhos, longos, 3 meses de pausa que tirei este ano. Simplesmente iam sendo poucos, contidos, temporamente restritos. Parecia demasiado fácil lembrar-me de tão pouca coisa, tão insignificante, para o registar nas folhas do moleskine de que já falei aqui. Agora, de repente, com a aproximação de Setembro, senti que os mails com marcações de reuniões se estavam a tornar demasiados para me lembrar de tudo ao mesmo tempo. E assim peguei na agenda, movi a fita que localiza o dia para a frente, folheando apresada o vazio dos meses passados com uma sensação adormecida de culpa. Procurei, então os dias onde fui marcando coisas, e apontei essas mesmas coisas, nesses mesmos dias, nas horas indicadas.
Foi, aliás, para isso mesmo que vim mais cedo para o Porto (outras questões aparte), para me ir ambientando, para ir lendo, para ir preparando o terreno para este ano novo e que vai marcar a abertura de um capítulo novo. Tenho que reinventar uma maneira de me organizar, de trabalhar, de viver, de me definir. Ainda não sei exactamente como isso vai acontecer, mas devagar, foi-se desenvolvendo um conceito vago de quotidiano ao qual posso aspirar. Pelo qual tenho que trabalhar. E que vai, em última análise, redefinir-me. Parece muito um regresso à escola. A escola é aliás uma constante e um fio condutor do tempo, marcador de etapas, organizador da vida, ao longo de todo o meu percurso. Desde que entrei nessa instituição, nunca mais saí, nunca fiz uma pausa, de um ciclo para o outro, para a universidade, para o mestrado, para o doutoramento. Porque não havia, então, de um regresso à vida assemelhar-se a um regresso à escola?
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