Arquivo de Novembro, 2006

29
Nov
06

ando desaparecida


mas não desapareci. Tenho, aliás, coisinhas para contar que merecem a dedicação de alguns minutos na elaboração de um post jeitosinho. Mas não será ainda este o tal post… este é mesmo só para marcar presença e vos deixar uma ilustração a que achei piada e não sabia a propósito de quê poderia utilizá-la. Fica sem propósito, só assim. Este blog anda pouco ilustrado e tenho pena que assim seja. Acho que é este layout que não pede ilustração, mas prometo imagens para as próximas entradas.

24
Nov
06

tá melhor

Já me apetece de novo o fim de semana! amanhã, se possível…

24
Nov
06

David Fonseca no Diz que é uma espécie de magazine

até ganhei um novo respeito pelo jovem… de fazer inveja!

23
Nov
06

estranho facto

a falta de vontade por este fim de semana…
não, não estou doente. tenho me escapado, sem mais do que umas vagas ameaças, desta gripe que assola toda a gente à minha volta.
a minha casa… aquela que é minha, só minha e mesmo minha… está ao Deus-dará há largos meses. entretanto houve não uma, mas sim duas mudanças de casa. acumularam-se caixas e caixotes e a entropia determinou que o caos se instalasse, já que as forças da ordem se deixaram das vãs tentativas de a manter. os meus livros e papéis estão em estado inominável. a cozinha pior, após um incidente ainda não completamente resolvido com os canos. o pó grassa por todo o lado. em fim, uma daquelas tarefas tão monumentais que nem dá vontade de pensar. pensei em contratar ajuda profissional, mas não sei a quem recorrer, e confesso, tenho vergonha em admitir propriedade de tal monte de pó a uma pobre assalariada. logo se verá. planeava um desagradável fim de semana completo de volta da esfregona e do esfregão, mas eis que surge um jantar marcado para sábado, no Porto e no qual convém manter um certo grau de dignidade, que passa, por exemplo, por não ter aspecto de pano do chão e não adormecer, exausta, sobre a mesa.
quem me conhece sabe que tenho pouco de fada-do-lar. detesto estas actividades. são coisas que têm de ser feitas e pronto. e depois de ano e meio sem passar mais de uma noite esporádica naquela casa, as coisas atingiram proporções que necessitam de uma estratégia de ataque complxa e bem desenhada.
e eu que normalmente tanto prezo os meus fins de semana, ir desperdiçar um assim… caraças, é obra. a ver se isto não fica para as calendas gregas, que há uma peregrinação das tascas combinada para Braga e é preciso um poiso em condições para servir de base operativa!

20
Nov
06

anonimatos

apercebo-me agora do tom explicitamente pessoal deste blog, tom esse que tem vindo a assumir-se e que não existia enquanto tal no meu ex-blog. talvez seja do anonimato. de não ter o meu rosto aqui estampado, nem o meu nome aqui debaixo destas linhas. estou escondida detrás dos *****. isso não faz sentido, porque quem vem aqui, sabe quem eu sou, foi convidado por mim a aparecer. não há links para este blog, assim o pedi, e julgo que foi cumprido, pelo que quem vem aqui ter, ou é amigo e convidado, ou passou aqui por acaso. nao se contam conhecidos nem indesejados entre os meus leitores. talvez a liberdade seja essa, a de poder ser pessoal, porque se está entre amigos.

Um brinde aos meus leitorezinhos.

20
Nov
06

por falta de vontade e de tempo

ou por outro motivo qualquer, que não entrevejo ou não admito, ando a refazer-me muito depressa deste ponto final no mestrado. talvez porque ainda não existiu e só existirá efectivamente em Abril. ou simplesmente porque sim. facto é que já estou a reinvestir. encomendei um monte de livros com o doutoramento em mente e vou todos os dias espreitá-los ao site onde os encomendei, como quem interroga as formas e os volumes das prendas de natal depositadas à volta da árvore. descubro a situação de cada um, seja encomendado ao fornecedor, ou pronto para envio, e eu espero e imagino o cheiro do papel, quando desembrulhar a encomenda e sorrio tanto com a ideia que até tenho vergonha de confessar. caramba, não é fácil admitir que se gosta assim tanto dos livros, dos seus cheiros e texturas. soa a parafilia! e então depois da reportagem de ontem sobre o BDSM há que evitar dar ares parafílicos…
estes livros são a ponta de outro icebergue – a vontade de começar. começar é sempre tão bom. dá uma pica desgraçada, uma vontade cheia de unhas e dentes (ai o BDSM outra vez, cuidado, que eu não sou dessas) de fazer, de conhecer, de espreitar para um tema e tirar-lhe as medidas. pior é continuar. continuar a ter pica para a escavação laboriosa que se segue do mesmo pedacinho de terreno, numa espécie de arqueologia profunda de cada centímetro do tema. aí custa mais, precisa de afinco, que a paixão não resiste a tanto. tenho medo disso… afinal, assinei um casamento de 3/4 anos com um tema só. a ver como me porto com ele…

19
Nov
06

a natureza do mal

é gostarmos dele. terá bastante razão o dito de que tudo o que é bom faz mal, que neste caso trasnvisto para dizer que gostamos daquilo que nos faz mal. sejam as comidas pesadas ou doces, o álcool, café e quejandos, seja o dormir até à noite seguinte, os temas depressivos, sejam as pessoas erradas… gostamos do que nos faz mal. claro que quando a dor de barriga/obesidade/ressaca sobrevém, deixamos de gostar, ao menos por algum tempo. às vezes de vez. levei anos a tornar a conseguir tragar bayleys depois de um certo episódio que envolveu b52’s com fartura e do resto não me lembro bem. ainda hoje o evito. também nos fartamos de coisas que fazem mal. também gostamos, eu pelo menos gosto imenso, de pessoas fantásticas, coisas bonitas, peixe fresquinho grelhado, sopinha, água mineral e outras coisas que tais de que nem eu me atrevo a dizer maldades. também gostamos do que nos faz bem… e disso tendemos a não ter motivos para nos enchermos e fazermos desintoxicações, a seguir.
e todas estas reflexões sobre o mal por uma partida da natureza, que neste momento me faz estar aqui, em cima da cama, a ganhar coragem para entrar nela, a esfregar os olhos e com o nariz a querer asfixiar-me. a minha alergia a gatos. as saudades que tive dos meus peludinhos. as saudades daquele ronrom no meu colo… daquele pelo macio, daqueles feitios tão diferentes de cada um dos peludos. de me esparramar no sofá com os gatos. de falar com eles de maneira ridícula. de ser perseguida por 8 patas pela casa fora. e o restulado… este. odeio profundamente ser alérgica a gatos. não me rendo. recuso-me. não quero desintoxicar-me deles. ainda assim, fazem mais bem que mal. antes podia ser alérgica a marisco, ou a uma planta qualquer… mas não… tinham que ser os gatos (e outras miríades de coisas, mas isso não interessa para o caso). é cruel.

15
Nov
06

arghhh

acordei do avesso. atada nos lençois. com sono de quem não dormiu. com olhos de quem quer fechar-se. não queria sair deste canto escuro mas tenho coisas combinadas. lá irei. fazer figura de corpo ausente.

13
Nov
06

isto era para ter vindo logo depois do post anterior, mas o blogger não achou bem

O haver

Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
– Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido…

Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.

Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.

Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.

Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história…

Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e do mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.

Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.

Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.

Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante

E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.

Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.

Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade
Pelo momento a vir, quando, apressada
Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante
Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada…

Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.

Vinicius de Moraes
in “Poesia completa e prosa: “Poesias coligidas”"

12
Nov
06

outros dias

tenho destes dias assim, cheios de vontade de qualquer coisa vaga, que não se deixa definir e que em consequência não se pode encontrar, não há sequer mapa para que se procure. dias insatisfeitos por natureza, que não passam de projecto e inacção. hoje estive longe daqui sem me ter movido. e nesse movimento potencial e não realizado se conteve toda esta inquietude, esta inquietação muda e intransmissível porque injustificada.

Se na realidade fui até à praia, caminhei, fiz a peregrinação que o local exige – que ele há sítios que nos compelem a peregrinar numa direcção específica, e este é um deles; a fnac, descobri ontem, é outro – se até fiz tudo isso bem acompanhada e à conversa, na realidade não abandonei a mesma imobilidade e o mesmo silêncio. tudo o resto foram apartes. apartes agradáveis, necessários e sentidos, pontuados por gargalhadas, pelo ruido do mar e pela sensação estaladiça da areia debaixo das solas, mas que não interromperam o silêncio nem preencheram o vazio indefinido. esse permanece. vai-se transformando num peso.

Dizia o Vinicius que era melhor viver que ser feliz. E ele terá vivido de maneira a fazer jus a esse mesmo lema. talvez ainda ande para aqui na suposição de que se poderá ter ambos, sem exclusão mútua das partes. a cada um caberá a definição destes termos. é em dias assim que perco o jogo e não fico com nenhum deles. amanhã, uma nova página em branco, a preencher por novas letras e a livrar da contaminação das poeiras do passado que de manhã toldam os olhos em forma de névoa.

Está-me a cair o cansaço em cima, é o que é. deixem lá, que isto passa… e se não passar, não faz mal, esta melancolia é minha amiga, conhecemo-nos bem e até já nos divertimos juntas.

11
Nov
06

Ontem


Um final, um princípio e um filme. Ainda estou a tentar processar cada um deles…

Entreguei a dissertação de mestrado. Tem um peso simbólico, isso…

No mesmo dia, comprei o primeiro livro expressamente com o doutoramento em mente. é um início. é assustador… mas começa a tornar-se real. Daqui a uma semanita já sou doutoranda.

Um filme. O cartaz já o identificou. Lindo. Tanta poesia linda, tanta música linda… tanta vida, tanto Vinicius, tudo tão real, tão cru… e em boa companhia. Recomendo vivamente.

06
Nov
06

Já sei

é como aquela sensação que se tem quando se esteve muito tempo a andar numa passadeira rolante ou numa bicicleta… custa a parar. E depois de parar parecemos continuar em movimento, as pernas querem descrever círculos, o equilíbrio falha.
Sinto-me assim. Exactamente.

06
Nov
06

Eh pá, acabei!

Quer dizer… isto de acabar é um estado de espírito. Neste momento posso entregar a tese tal como está. Mas não é fácil parar. Afinal foi um ano de volta disto, uma pessoa apega-se e não quer acabar as coisas às três pancadas. De modo que amanhã continuo. Vou ver se acrescento mais umas coisinhas soltas, umas referências, umas reflexões… aquelas tretas que não são essenciais mas ficam bem.
E tenho que pedir orçamentos e tratar de burocracias. Se a minha querida universidade não resolver lixar-me o esquema… podem começar a chamar-me mestre!

Estou inquieta. E agora… o que faço? Não estou habituada a este vazio que começa a instalar-se. Não estou em pânico… acho que é isso. Já não sei viver sem um nível estúpido de stress. O que vale é que já me meti noutra! ;)

06
Nov
06

Isto vai avançando

Está quase… desculpem a ausência… coisas da tese e do humor que se lhe associa.

01
Nov
06

Alguma coisa de estranho se passa comigo

A prova é que alfabetizei os meus cd’s até às 03 da manhã em véspera de feriado.
Terá cura?

01
Nov
06

Estou a correr fortes riscos

de me apaixonar por Tori Amos. Para já estou viciada. Já vi paixões começar por menos. Argh… inveja da gaija!




Poeira e letras

Ora, o que eu pretendo, com esta edição renovada do poeira e letras, é continuar a partilhar as minhas reflexões e histórias do quotidiano, descobertas de músicas, sites com interesse ou simplesmente piada e recursos que podem interessar a quem, como eu, anda dedicado à educação. Neste espaço coexistem o pessoal e o público em doses q.b.

 

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