continuando numa maré de «embarcar» em ideias já conhecidas mas ainda não levadas a cabo, isto é, na senda da moleskine, hoje entrei no maravilhoso mundo da «e-mula».
até agora tinha tido alguns pruridos em relação ao assunto, mas convenci-me. algo me diz que vou gostar e talvez até me vicie. isto apesar de me parecer que a criatura convém mais a quem procura coisas muito comerciais, que têm milhares de potenciais fontes… as coisas menos mainstream e os nacionais estão menos bem representados. mas a cavalo dado não se olha o dente, e suponho que o ditado também valha para as mulas.
e agora que tenho leitor de cd’s no carro preciso de colectâneas home-made com muitos e muitos mp3.
Arquivo de Outubro, 2006
a mula
estes caderninhos lindos e práticos são uma obsessão comum. Ah, ter um caderninho igualzinho ao do Hemingway e ao do Chatwin… que lindo, que bem… se não importasse mais o conteúdo do que as folhas, estaríamos com certeza no melhor dos caminhos…
Já deu para perceber que a minha relação com os moleskines é ambígua. gosto deles. a minha sensibilidade é atraída pelas suas linhas e materiais austeros, pela sua cor, pela textura da sua capa e por aquele hiper-prático envelope/pasta no final para guardar bilhetinhos e talões… gosto do seu papel amarelado e fino, onde apetece escrever a castanho ou azul-petróleo. gosto do seu cheiro. mas até hoje, nunca tinha tido um. resisti sempre. e se resisti até agora terei tido os meus motivos. agora gozo comigo mesma: ahah, gaja, armada em original. já chega. pois é, o problema com os moleskines é mesmo serem uma obsessão tão comum. toda a gente adora moleskines. toda a gente os tem. assim não tem piada. então tenho optado sempre por escolher cadernos menos correspondentes ao perfil típico d’ «o caderno».
Ora, se nunca me rendi aos caderninhos em si, hoje, caí na tentação por uma linda agenda de 2007, que me dediquei a preencher com os números de telefone e as datas especiais. e estou perdida pela minha linda agenda moleskine. não quero saber se há milhões de pessoas igualmente perdidinhas pelas suas agendinhas iguais. nenhuma delas é a minha. e só na minha é que se desenham os meus dias, pelos quais tenho um afecto quase exagerado. confesso.
a minha paixão por agendas tem a ver com esses dias e nasceu, provavelmente, com «a minha agenda». Ainda alguém se lembra? «No Natal, o meu presente eu quero que seja a minha agenda, a minha agenda, tra-la-la» era o jingle. a agenda em si era direccionada a um público infantil. lembro-me de ter recebido uma em Felgueiras, um certo Natal. e adorei-a. a verdade é que a queria, talvez sugestionada pelo já citado jingle. curiosamente nunca usei muito as minhas agendas. aponto nelas os aniversários, os feriados, as datas limites para trabalhos. e normalmente esqueço-me de ir lá confirmar essas datas. às vezes são repositórios de mensagens significativas que não quero apagar e ficam para sempre a marcar aquele dia. mas raramente são usadas como deve ser, até ficarem com os cantos descambados, cheias de notas de muitas cores, riscalhadas e vividas. como devem ser os dias e devem ser as agendas que lhes queiram fazer justiça. acho que guardo essas notas para a margem, para serem vividas e sentidas e nem sempre verbalizadas e anotadas. mas o facto é que o meu coração bate de cada vez que compro uma agenda novinha e nela aponto com carinho os dias de aniversários e afins e penso em todos os dias e todas as oportunidades que aquele ano frequinho poderá trazer. É como o friozinho da página em branco, multiplicado por trezentos e sessenta e picos e com a vantagem de as páginas serem abstracções de dias. dias da minha vida.
aqueles que ocupam o meu coração podem ficar a saber que os seus dias de aniversario já estão marcados na minha primeira agenda moleskine, a azul-petróleo. já planeei dias para eles… ainda que depois me esqueça e lhes dê os parabéns atrasados como acontece quase sempre… já festejei e agradeci pela sua existência… hoje.
picar o ponto
isto de andar pela blogosfera também cria os seus vícios e as suas expectativas. eu que o diga. sou uma viciada em certos blogs. chamo a essa leitura matinal, substituta do ritual do jornal e do café de tanta gente, a minha ronda dos blogs. ora, nessa ronda, irrita-me tremendamente e é motivo suficiente para apagamento da lista da ronda, que os blogs sejam prevaricadores em termos de frequência de postagem. o comportamentalismo e as leis do reforço explicam isso muito bem. mas depois de ouvir repetidas vezes que «a psicologia deve explicar isso» a minha vontade de explicar seja o que for reduz-se dramaticamente. assim como a minha vontade de ser psicóloga. já não sou. se calhar nem nunca fui. mas isso são outras conversas… e outro post.
tudo isto para dizer que aqui vim apenas para picar este ponto. para deixar um aperitivo que impeça o(s) meu(s) leitor(es) de morrer de inanição de desesperança no meu regresso.
voltarei.
i think…
coisinhas boas
até esta tarde, a minha vida estava incompleta. não podia conduzir e ouvir música ao mesmo tempo. agora já posso. apetece-me fugir do país por uns tempos, só para poder passar uns dias só a conduzir e a ouvir música.
claro está que não vou fazer isso. mas apetecia-me.
comprei o meu primeiro auto-rádio. e isso contribuiu para a minha felicidade.
está a dar o fabuloso destino de amèlie poulin.
fonte
mulher-a-dias

Somos todos pessoas-a-dias. A dias sim e a dias não. A dias assim, em que não se pode fazer nada senão lamentar-nos da improdutividade destes dias.
Hoje descobri o Josh Rouse. Já tinha estes cd’s gravados, perdão, já guardava estes backups dos originais que pertencem à minha irmã bem há um ano mas ainda não os tinha ouvido com ouvidos de ver. Ouvem-se bem. Adequam-se a estes dias.
hipótese
começa a desenhar-se, trémula, a luz que poderá indicar o fundo do túnel…
ou por outras palavras
… com sorte ainda consigo acabar esta merda a tempo!
carago! ou não estivéssemos no Norte.
partilha
hoje venho só partilhar uma descoberta. Isto porque a deixo aqui antes mesmo de a ter explorado. Assim, podem descbri-la comigo, ao mesmo tempo. Um dos colaboradores do Blog/Revista Orgânica é/foi um amigo, que se perdeu no tempo e nas distâncias, mas se lembrou de me mandar o link. É quanto basta de motivos, pelo menos para mim. Mas se continuar a escrever como quando o conheci, com certeza vale a pena, também para vós.
Apontamento notícioso à laia de rodapé da TVI – Continuo em análise. Stress. Inclemência, horror!
texto
É então este, mais um luto, a adicionar aos outros. Uma luta nova. Uma nova porta aberta à redenção ou à desgraça, num renascimento. Poder-se-à ainda dominar caminhos por escrever, desbravá-los? Não estará tudo dito e feito – restar-me-á apenas demorar-me pelos cantos, atropelar-me um pouco, satisfazer o embaraço de existir.
É triste a consciência. Saber que esses caminhos entrevistos podem novamente redundar na repetição costumada de uma história salgada pelas horas. Para quê, afinal, percorrer terra pisada? Para quê desbravar o que pode conduzir, de novo, a um mesmo lugar, por outros lados… cansa demais. Correr o risco de viver e morrer tentando… ou correr o risco de uma resignação precoce à falta de alternativas que o sejam verdadeiramente – alternativas ao enjoo e ao tédio da mesmidade anunciada.
Haverá ainda alguma alteridade essencial a ser descoberta? Haverá ainda ilhas desertas a povoar de novas e descabidas vitalidades?
Só a abertura da interrogação encerra (ou abre, porventura) já uma porta. Resta saber onde ela pode conduzir, para o caso de haver forças e coragem para fazer novamente as malas.
Há ainda a questão de distinguir o ser do parecer. Como distinguir uma aparência de novidade de uma verdadeira mudança? Até que se torna claro que mudar a aparência é já mudar alguma coisa. Muda-se uma corda. Ainda que o resto da música permaneça igual. Mas é suficiente, isso? Uma corda! Quanta mudança é precisa para que valha a pena mudar?
Procurar caminhos como uma sina indesejada. Uma condenação a esta morte-viva que se resume a não se viver onde se está, mas onde poderia estar-se. Demorar aqui ou demorar demais nesse lugar indefinido da busca, da caça – qual o maior tédio. A senda e a viagem são em si o que permanece – permanecer num movimento é ainda permanecer – seja na fuga ou na luta, seja no gélido enfrentar de uma realidade pálida. Ficar. Estar inteiro num só lugar ou numa só coisa, ainda que essa coisa seja o oposto de permanecer. A escolha é a mesma. O outro gume da mesma faca. Ficar no sítio ou ficar na mesma fuga, na mesma eterna obsessão de novidade. Ambas as mortes matam e na morte todos somos iguais, afinal – no final de todas as histórias há a mesma palavra – FIM. Sobram-nos os princípios e os meios, limitados recursos de manejo árduo. Administrá-los sabiamente de uma maneira económica? Queimá-los de uma só vez e aceitar a condenação a sobreviver depois de a vida ter sido gasta… ou ir vivendo sempre um pouco de cada vez até ao fim?
Sinto de novo nascer essa vontade errática de fazer umas malas leves para uma viagem longa. Começar com pouco. Por mais que possa saber que se começa cada vez com mais, que até as malas vazias pesam já toneladas a carregar atrás, como correntes metafóricas de fantasmas.
Ou ressuscitar aqui, coleccionando sombras e tentando iluminá-las por outros ângulos? Inventar novas maneiras de viver o mesmo. Talvez possa ser por aí.
Sinto-me um pouco como um pássaro preso a desenferrujar as asas, voando em seco, sem sair do lugar. Um animal nocturno querendo aprender a ver de dia, com olhos postiços, alheios, desfasados.
Acabo de decidir que isto será um ensaio em duplo sentido – de tentativa e de exploração. Fica então, assim, com a fundamentação deslocada para o fim enquanto
ENSAIO
Um ensaio tardio.»
Um presentinho
Hoje, ir ao concerto do Jorge Palma foi delicioso. Saí de lá com a sensação de ter ouvido todas as músicas que queria mesmo ouvir à entrada, e mais algumas que também foram bem vindas. O ambiente estava descontraído e íntimo, a fazer sonhar com piano-bares pequeninos e cheios de fumo onde pudessemos ir ouvi-lo sempre que fosse preciso. Assim, ao vivo, com falhas, humano. Assim é melhor. Assim deixou-me um sorriso que antes do concerto estava bem longe.
E por qualquer motivo estranho, lembrei-me de associar isto a essa sensação: às vezes coisas simples sabem estupidamente bem. Isso e os sacos de feijão da Amèlie Poulin…
man about town

Ontem vi, finalmente, um filme que há muito tempo andava a dizer que queria ver. O «man about town». Sim, é com o Ben Affleck, mas isso não importa nada. Também tem o John Cleese que fica sempre bem, para equilibrar a coisa. Basicamente, tinha visto um trailer há meses atrás, que me despertou mais curiosidade do que em princípio seria de esperar de um filme com o Ben Affleck.
A história é a de um homem e do seu diário. Podia dizer um conjuto de tretas pesudo-terapeuticas sobre o auto-conhecimento e a transformação do indivíduo, mas não vou dizê-las. O filme tem a ver com a vida e com a escrita como superfície espelhada. E mais não digo. A não ser que o filme é mesmo bom, vale mesmo a pena um aluguer e dá que pensar, sem obrigar o espectador a desatar um nó impossível.
e nem sequer tinha dado por ela…
… mas agora que dei, preocupo-me. Não pela superstição que rodeia a data, mas pela data em si. Falta 1 mês e 1 dia para ter que entregar a malfadada tese. E isso não pode ser boa notícia.
no princípio era o layout
porque tudo tem que começar por algum lado, e nestas andanças a blogger não nos dexa muitas opções: uma dezena de templates dos quais, se não soubermos trabalhar com o html (e quem é que sabe trabalhar com aquilo?), somos mesmo forçados a escolher 1. E então lá escolhi, não é? Mas esse processo não foi nada pacífico. Primeiro, um. Mas depois era demasiado urbano e não tinha nada a ver com letras e com poeira. Mude-se, então. Escolhi outro. Horrível, mesmo, muito, horrível… ai. Outra tentativa e peço opinião… resultado, perguntam-me se vomitei no écran, que é uma forma subtil de me dizer que horrível era pouco para se chamar ao que para ali estava. Por fim, este, que ficou.
Mas depois volto a pedir opiniões. Eu, rodeada de 3 fontes de opinião. Que não, que este não podia ser, que nada tinha a ver comigo, que eu não era assim… E lá voltamos aos modelos da blogger, cada um a puxar a brasa à sua sardinha. Que era sempre demais, ou de menos, ou que nada tinha a ver comigo, ou que nada tinha a ver com as palavras e a poeira… e lá voltámos ao mesmo.
Depois de tudo isto, estou fechada a comentários. Se não gostarem, azar. Só aceito críticas de quem souber programar com html e me fizer uma coisinha mais bonita, mais eu e mais letras empoeiradas.
o início
porque tem sempre que haver a primeira palavra, para que alguém possa ter a última.
esta é a primeira pedra. quem quiser que atire mais.

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